sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Como Rosa Vermelha...



Sentada na frente da TV com um programa nada atraente, ela começa a se cortar; há muito tempo isso não acontecia, mas dessa vez era definitivo...
Era definitivo o seu desejo de morte, já que não se encontrava mais feliz em seu interior e tinha se cansado da mesmice de sua vida...
Ela passou anos e anos lutando por tudo aquilo que hoje ela tinha, mas não estava mais feliz;
Ela sempre gostou de aventuras e incertezas, não saber o que fazer para conseguir o que queria, sempre lutando das maneiras que lhe convinham;
E depois de muita luta, depois que conquistou o que sempre quis, mas não tem mais a incerteza do amanhã, seus dias eram iguais ou parecidos; e isso a deixava extremamente triste e sem vontade de lutar por dias sem fundamentos, foi aí que ela resolveu se cortar...
Ela desenhava com a lâmina, sangrentas e profundas cruzes em seus braços, com a desculpa de que Deus a livraria de seus pecados ou de que ele a salvaria de seu futuro.

Deus morreu por mim, cabe a mim morrer por ele...”
Eu sou o cordeiro de Deus e dou o meu corpo e remissão dos meus pecados”

Volta e meia ela dizia essas palavras, não que fosse religiosa; pelo contrario: O ensino Religioso que a prendeu durante a adolescência não a impediu de mais tarde rir da cara deles, nem de dizer essas frases repetidas vezes com um sarcástico e irônico sorriso no rosto encantador...
Às vezes, para anestesiar sua dor, ela olhava a TV, mas sue sentimento de repulsão só aumentava; queria desligá-la, mas sua cabeça estava confusa demais para saber se conseguia levantar-se; então resolveu concentrar-se em seus corte, mas sua concentração não durou muito; “Quero assistir minha morte.” ela pensou, tomou coragem e foi buscar um espelho, estava tonta mas ainda sabia como andar em sua própria casa; pegou um espelho e no caminho de volta ao seu aconchegante sofá lembrou-se de desligar a televisão, pois àquela altura já havia se tornado irritante para ela...
Só quando foi desligada a tortura daquela garota, que ela percebeu que já era noite e a escuridão invadiu sua casa, mas dava para reconhecer os objetos graças à luz da lua que entrava pela pequena brecha deixada pela cortina;
Ainda em pé, olhou a TV e pensou:
“Tão desligada quanto minha mente”
Deu um giro em volta de si, observando a sala que ha alguns anos fez parte da sua vida, mas antes que pudesse pensar algo, soltou um grito abafado dentro de seu peito e se deixou cair de joelhos...
Caiu de joelhos e começou a se cortar como se ferisse o mais cruel dos seres, seu alvo, agora, não era mais seus delicados e sangrentos braços, agora ela não morria só para o mundo, morria para si própria e atingia sem dó sua delicada barriga, atingia seu delicado rosto; aquilo que sempre foi seu motivo de orgulho para ela e inveja para os outros passara a ser apenas um pedaço de corpo que ela não cansava de machucar;
Deitou-se e logo veio a vontade repentina de vomitar, mas logo conteve-a, pensando consigo mesma
“se for para morrer que seja com o pouco que me resta do almoço”.
Com esse pensamento, sentiu vontade de rir, mas sua doce voz vinha acompanhada do sabor amargo do sangue, então decidiu para de rir, pois como ela mesma disse “não havia se cortado tanto para simplesmente morrer engasgada com seu próprio sangue”
Então pegou seu espelho e ficou observando-se, olhando no fundo dos seus olhos negros de lente, pois detestava o verde natural de seus olhos e decidiu adotar olhos pretos como seus...
Mesmo com olhos cor da noite ela de tão linda, reluzia como um flash na escuridão, seu olhos “negros” combinavam com seu jeito marcante, seus cabelos escuros, seus lábios vermelhos e sua pele muito branca que ficava rosada quando se envergonhava...
Seus amigos apelidaram-na de “branca de neve” e ela gostava dos apelidos que colocavam nela, ela gostava porque eram engraçados e representavam o carinho que eles tinham por ela...
Ainda olhando em seus próprios olhos, ela pensou em sua vida, sua beleza que havia se tornado nula, mesmo que sobrevivesse a toda essa tortura, restariam eternas marcas, lembrou de que desde era independente, que desde que se mudou para a “selva de pedra” (como ela mesma chamava) não precisava pedir ajuda á ninguém, lembrou-se de que suas idéias eram sempre próprias e que geralmente todos eram contra...
Caiu em tentação e perguntou a si mesma “Qual o motivo real para se matar?”
Mas não podia se arrepender e envenenou-se com pensamentos de depressão lembrando-se de sua rotina e conseguiu afastar a vontade de viver quando se lembrou de sua “planilha de rotina diária”; Foi então que ela lembrou que hoje era o dia da semana em que o seu noivo vem ate sua casa buscá-la para saírem juntos...
Ela tem um noivo, e ele é o que se pode chamar de homem dos sonhos; assim como ela, ele poderia ter quem ele quisesse, mas ele só queria uma, e essa uma era ela...
Qualquer pessoa daria tudo para estar no lugar dela;
Ela percebeu isso...
Ela se arrependeu de sua escolha...
Mas já era tarde demais...


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Sei que essa história não é muito feliz, nem romântica, né?
Quando escrevi esse texto, imaginava uma pessoa com a minha personalidade
(e com a beleza que gostaria de ter), que luta como eu luto para conseguir as coisas, que adora aventuras e coisas proibidas como eu gosto, que não gosta das coisas rotineiras como eu odeio... ...que com o passar do tempo se cansaria das suas conquistas, como eu me cansaria do meu mundo, que tentaria se matar e no ultimo instante perceberia que foi um erro, assim como aconteceria comigo...
Essa garota da história existiu dentro de mim, mas ela não teve coragem de terminar como manda a história... pq o meu eu que queria viver a conhecia muito bem, e resolveu escrever uma história sobre o seu fim...
então ela desistiu da morte...
e resolveu tentar mais uma vez...
pq assim como eu, ela percebeu que a vida é bela e sempre merece uma segunda chance...
Não fico triste quando leio esse texto, pq penso que se não fosse ele, eu não teria pensado bem antes de usar a minha
saída de emergência...



bjuxxx ah! obrigada pela força (post anterior) vcs são mesmo uns fofos e não se preocupem, eu estou bem...

ps. ah tentem ignorar a foto aí em cima, tá? olhem só a paisagem maravilhosa de Campos do Jordão atrás de mim, ok?? rsrsrs...

ps². amo vocês!!♥ ♥ ♥ ♥

7 comentários:

Vinícius Aguiar disse...

Nossa, muito forte esse post... e muito intenso também! Acho que na verdade essa falta de vontade de viver já aconteceu com todas as pessoas... umas com mais intensidade, outras menos, mas todos passam por isso! É preciso apenas que haja o equilíbrio e que entendamos, como vc entendeu, que a vida sempre vale a pena!
Beijosss!

Ariana disse...

Bem forte e tocante esse post!
E concordo que todo mundo merece uma segunda chance!
Sempre!
Lindoo!

Beijão!

ps: Tu esta melhor querida?

Mandy disse...

Bom acho q é meio termo!!! hahahaha
É bom pq acho q vc acaba sofrendo um pouco menos, pois não se entrega logo de cara num relacionamento. Porém é ruim pq vc pode perder a chance de se envolver com alguém maravilhoso por medo... "Experiência própria"

E q bom q se sente como se estivesse conversando com uma amiga, pois tbm me sinto assim!!!! Sempre q precisar conversar estarei aki ta flor.

BjO.

Rαfαεℓℓα disse...

Ah, q texto melancólico...p'ra mim a vida é bela e deve ser valorizada! Ainda bem q vc está bem moça!
Beijoos, amo seu blog ;*

Tatah Marley's Confissões disse...

Muito forte e triste muié, fala pra mim que tu nao quer se matar vai ?!
¬¬
RAM!
adoro seus textos, tu tem uma intensidade que vale-me Deus!
bom demaaaaaais!

e vou te linkar tbm!
;*

Layz Costa disse...

Lindo demais! :D
A sua conclusão e o quanto a vida nos faz melhores.
beeijo e boa semana
;*

Flaah :) disse...

Viviane, ficou ótima a história. Texto bom.
Pelo amor de Deus, não siga o mesmo fim. Mesmo que seja mais forte que você, que tudo pareça acabado, que não reste mais nada a festejar, que tudo esteja da pior maneira possível. Não faça isso. Não desperdice a sua vida. Se estiver dando tudo errado, ou a rotina tiver tomado conta, extravase, saia daí, va dar uma volta, faço algo que te ajude. Mas não se mate, por favor. Além de se arrepender na hora, a dor que seus amigos e família vão sentir, será imensurável. Perdi, a pouco, um amigo distante. Ele se matou. Não me lembro de ter chorado tanto. Minha mãe pensa nele todos os dias. Se nós, que éramos distantes assim, estamos sofrendo, quanto mais a família, os amigos íntimos. Não faça isso, querida, você é jovem, tem que adquirir experiência, tem que viver por coisas que ainda não viveu. Não termine com um ato tudo o que ainda há.